Autismo: Muito se fala sobre TEA nos últimos anos, muitas são as terapias indicadas e até medicações, mas no dia a dia, ninguém nos prepara para lidar com a rotina, com as crises, com o fato de que é difícil saber o que fazer em cada momento.
Aqui falaremos muito sobre como criar essa rotina com a criança autista, como se preparar para o dia a dia, para aqueles momentos em que a criança precisa ser amparada e os pais também. Vamos juntos descobrir como ajudar cada família e como ajudar cada criança.

O que é o Transtorno do Espectro Autista (TEA)?
O transtorno do espectro autista (TEA), também conhecido como autismo, é uma condição do neurodesenvolvimento que geralmente se manifesta na infância e pode persistir ao longo da vida.
Afeta o desenvolvimento social (como dificuldade para acompanhar conversas), comunicativo (como repetição de palavras) e comportamental, caracterizado por dificuldades na comunicação social e padrões de comportamento repetitivos ou restritos.
A denominação “espectro” deve-se à ampla variação de sintomas e níveis de gravidade que podem ser observados em indivíduos diagnosticados. (de acordo com o hospital Einstein)
Sintomas do Autismo
Muitos sintomas podem ser percebidos ainda quando bebês. Mas pode ser que o diagnóstico venha entre os 4 ou 5 anos, depende de cada criança e de cada família que procure por informações e ajuda.
Os mais observados são:
Movimentos repetitivos com o corpo, mãos por exemplo, ficar assustado ou ter medo de lugares cheios ou barulhentos e esses movimentos são uma forma de se acalmar.
Muitas vezes quando a criança faz 1 ou 2 anos onde o desenvolvimento começa de falar e andar, e a criança não o faz, acende um alerta, e já começamos a observar com mais cautela. É uma fase crucial para se ter certeza.
Nessa fase fazemos muitos exames para testar se há algum problema que impeça a criança de não se desenvolver adequadamente. Sò aí partimos para o diagnóstico do Autismo.
Dificuldade de socialização e comunicação: Outro sintoma pode ser observado desde pequeno e ter a certeza na escola por exemplo é a socialização. No Autismo a criança até se dá bem com os irmãos e coleguinhas, mas sempre procura estar sozinho, criando sua própria brincadeira, separando brinquedos por cores ou empilhando.
Contato Visual: autistas não olham diretamente nos seus olhos, quando parecem olhar estão olhando entre seus olhos, é uma das formas que muitos deles fazem para parecer olhar.
Dificuldade para se Expressar: Dificuldade de se expressar, pode ser confundido muitas vezes por indiferença, o que atrapalha e muito no convívio social. Um Autista pode passar por você e você parecer ser invisível para ele, mas existe explicação.

Porque para os autistas é diferente?
Para o autista, qualquer mudança que para nós é tranquila para ele pode ser um grande susto, mudança de ambiente, muitos cheiros, muitas luzes, muitas pessoas, muito barulho, tudo isso ele absorve quando entra em um ambiente, então quando você passa por ele, ele realmente pode não ter te visto.
Não só em relação a te dizer oi, boa tarde, mas também quando ele precisa dizer algo, ou colocar para fora suas ideias, pedir por alguma coisa. Tudo isso pode ser bem difícil para o Autista.
Impacto do Autismo no Desenvolvimento Infantil
Não só em relação ao desenvolvimento corporal, mas ao todo a criança autista pode ter vários problemas futuros se não diagnosticada o quanto antes.
Além do desenvolvimento cognitivo, motor , falar, andar e entender a vida ao seu redor, temos que observar lá na frente como tudo pode impactar na vida dessa criança e posteriormente adulta.
Queremos que essa criança cresça sendo um adulto totalmente funcional. Claro que cada criança é única, e se desenvolve a sua maneira, mas não negligencie, busque ajuda e seja a ajuda dessa criança.
Porque é importante o Desenvolvimento Infantil?
Há muitos relatos hoje de adultos que estão descobrindo o autismo na fase adulta, que sofreram muito na infância, sem ter o diagnóstico correto.
Vícios em bebidas, cigarros, drogas e sexo são coisas comuns desses relatos. Quando associado também a outras comorbidades como TDAH, TOD e muitos outros. Podem levar a sérios comportamentos para “tentar se encaixar” sem entender o que era na verdade.
Suicídios na adolescência, problemas com violência; claro que não são em todos os casos, mas infelizmente é comum de se ouvir nesses relatos e que poderiam ser amenizados ou ate tratados com a ajuda correta.

Guia Completo para Pais: Como Organizar uma Rotina
Sempre que pensar em rotina, pense que na mente de um autista, as coisas funcionam melhor sabendo o que o espera. o que vai acontecer, principalmente se ele tem TDAH ou outra comorbidade ligada a ansiedade.
Como disse, cada autista é único e cada um apresenta o autismo de uma forma, sendo que ele pode apresentar todos os aspectos que conhecemos, ou apenas alguns. Isso não muda o fato nem a maneira como deve ser tratado.
Muitas pessoas tratam os autista como se fossem de outro mundo. Com medo, ou querendo fazer tudo por ele. Lembre sempre de perguntar, como ele ou ela gostaria que você fizesse tal coisa, o chamasse, ou o ajudasse, ou não ajudasse. Enfim, são detalhes que você pode fazer também com PCD, por exemplo.
Por que uma rotina estruturada é importante para crianças autistas?
- Como a previsibilidade reduz a ansiedade
Saber o que o espera, gera uma certa tranquilidade e sensação de controle. O autista tenta prever o que o espera e isso reduz as crises.
- A importância da organização no dia a dia
Ser organizado traz essa sensação de controle, de estar tudo nos eixos, e ajuda e muito a conter as crises. Quando o ambiente está fora do lugar, gera sensação de estresse.
- Benefícios da rotina para toda a família
Quando toda a família anda junto na rotina, fica mais fácil entender onde a crise começou e o que falta para controlar. E ainda os episódios podem até diminuir. Família calma, a criança tende a ser calma também.

Começando o dia com tranquilidade
- Horário fixo para acordar
Ajuda a criança a se adequar, e já saber que tem todo um passo a passo pela frente. O próprio organismo se acostuma e vira um hábito saudável.
- Higiene pessoal sem pressa
Principalmente na primeira infância, trate com leveza a até a criança aprender e cada uma tem seu tempo. Depois vai se tornando comum.
- Café da manhã em ambiente calmo
Evitar uso de telas antes do café, de preferência o mínimo possível, principalmente antes dos 5 anos. E cada idade tem o tempo adequado. Pois sobrecarrega, gera muitos estímulos e a criança tem crises recorrentes quando exposta a tantos estímulos.
Atividades educativas e de aprendizado
- Brincadeiras que estimulam o desenvolvimento
Busque brincadeiras de acordo com a faixa etária de cada criança. Mas levando em conta o nível da criança, cada autista vai ter suas facilidades e dificuldades. Procure por atividades que o ajudem na coordenação motora fina, na percepção do ambiente e se for maior de 7 anos, por exemplo, pode ser jogos educativos.
- Atividades de concentração
Quebra-cabeça, caça-palavras, para os que sabem ler e quebra-cabeças com figuras, ou de memorização para os que não sabem, são ótimos exemplos.
- Como respeitar o tempo da criança
Observe a criança, enquanto uma amam a brincadeiras e ficam horas se deixar, outros se distraem e já não querem mais. Claro que isso varia de criança, idade, mas no geral, tenha mais opções para esses que perdem o interesse mais rápido.
- A importância das pausas durante as atividades
Sempre dê pausas para o descanso entre as atividades. No ambiente escolar também é muito importante, pela quantidade de estímulos que tem no ambiente, quantidade de pessoas, sons, cheiros, tudo isso influencia.
Terapias e acompanhamento profissional
- Organização dos horários de atendimento
Muitas instituições hoje fazem as terapias em horário fora do horário escolar. Mas ainda existem as que fazem no horário escolar. Para isso, as crianças devem ter o laudo, explicando a necessidade de faltas para terapias.
- Continuidade das atividades em casa
Não basta apenas levar as terapias. Como na escola tem as atividades a serem feitas em casa, as terapias também têm continuidade no lar. Caso tenha dúvidas de como ter essa extensão no lar, pergunte ao médico que acompanha sua criança ou ao terapeuta, eles sempre indicam o melhor para cada criança e o que pode funcionar em casa.
Estratégias para diminuir as crises no dia a dia
- Utilização de rotina visual
Faça um quadro a mão, ou impresso com os horários das aulas da sua criança. Para as que não sabem ler, use figuras. Coloque os dias da semana e o que ele fará em cada dia. Assim ele não se assusta.
- Avisando sobre mudanças com antecedência
Em caso de imprevisto, tente contar o mais cedo possível. Se não der, explique sempre os mínimos detalhes antes de ir. Mantenha a calma, nossos filhos sentem quando estamos estressados e isso nos autistas ainda mais.
- Identificando os gatilhos das crises
Na maioria das crianças existem os gatilhos. Tente observar qual gatilho faz com que seu filho entre em crise. Uma frustração repentina, mudança de horário, atraso de horário (comida, sono etc.). Quando identificar, fica mais fácil saber quando a crise pode acontecer, e assim se antecipar e ajudar a controlar.
O que fazer quando a criança entra em crise?
- Manter a calma e transmitir segurança
Pais nervosos ou estressados, eles sentem e ficam piores nesses casos. É muito difícil, eu sei, manter a calma nesses momentos, principalmente estando em público, são muitos os julgamentos. Mas é exercício, tente sempre manter a calma em casa e ficará mais fácil. E o segredo é ignorar os olhares. Você é o porto seguro de alguém que precisa de conforto nesse momento, então esqueça o resto.
- Reduzir estímulos do ambiente
Em casa é mais fácil apagar luzes, desligar tv, som. Mas em público complica, caso não tenha como reduzir, abrace forte e o tire do meio onde a crise ocorreu, vá para o banheiro, para o carro. Não ligue se ele estiver chorando aos gritos, o que pode acontecer, o importante é tirar ele do ambiente para que ele se acalme. E se estiver se debatendo também, para que ele não se machuque.
- Garantir um espaço seguro
Em casa procure esse lugar que ele se sinta mais à vontade e quando a crise vier, vá pra esse lugar com ele. Uma tenda de brinquedo, embaixo das cobertas na sua cama, embaixo da cama, observe esses locais que o acalmam. Já na rua, em locais públicos, entre e já procure onde fica o banheiro infantil, ou se tem sala de amamentação que são mais tranquilas. Pare o carro mais próximo da saída, se precisar correr para ele.
- Evitar confrontos durante a crise
Não debata com a criança, esse não é o momento. Pode piorar a situação
Como agir após a crise
Dependendo do que desencadear a crise sempre observe, se ele desregulou, se foi realmente uma crise. Eles não sabem distinguir crise de birra. Muitos podem começar com birra e levar a uma crise. Sempre converse sobre a crise, sobre o que ocorreu, assim você demonstra interesse em saber como ele se sente, mas também disciplina se necessário, explicando o que pode e o que não pode ser feito.
Lembre-se, o intuito não é colocar seu filho na bolha, até porque sabemos que o mundo não espera, que o mundo é cruel. Temos que preparar nossos filhos a viverem nesse mundo. Então não o carregue nas costas. Ensine, ensine denovo e denovo, para que ele seja um adulto funcional e feliz, porque teve família que o mostrou como ser.

